Disponível com hipoteca também para não residentes
Banhos: 2
Era uma vez um menino que, entre as histórias para adormecer, preferia aquelas sobre pedra e memórias. Enquanto outros sonhavam com príncipes e dragões, ele sonhava com os cantos dos palácios antigos, o aroma do pó secular, o som dos passos a ecoarem nas escadarias de época. Esse menino, hoje, deixou de sonhar de olhos abertos. Encontrou o seu castelo. Não é um castelo com torres e fossos, mas é muito mais do que isso: fica em Piazza Armerina. Aquele punhado de casas nobres aglomeradas em torno da imponente estrutura normanda do castelo, um local de histórias, de domínios, de passagens secretas. O palácio remonta ao século XIX, um século de elegância austera, e estende-se por três andares, com doze vãos que esperam apenas voltar a ser quartos. Mas agora é um corpo adormecido, um gigante de calcário e reboco que apenas pede para ser despertado. O exterior conserva algumas fissuras de orgulho, alguns sinais do tempo que exigem cuidados, pequenas intervenções de manutenção respeitosas. Mas é no interior que se joga a partida mais bonita: o palácio é uma tela em branco, a precisar de uma renovação completa. Um silêncio profundo habita estes espaços, quebrado apenas pelo farfalhar da luz que se filtra pelas persianas originais. As janelas e portas internas e externas, verdadeiras peças de época, estão ali, intactas mas frágeis: não precisam apenas de uma restauração, mas de uma escolha feita com amor. A alma do palácio, porém, encontra-se ao percorrer as longas escadarias em arco. São majestosas, austeras, maternas. Cada degrau conta a história de uma saia a levantar-se, de um passo furtivo, de uma corrida de criança. No primeiro e no segundo andar, há dez varandas — cinco por piso — e olhar para fora significa ver o castelo de frente, quase cara a cara com a história. Daí, aquela criança de outrora via os sonhos dos seus antepassados. Porque é essa a questão. Piazza Armerina, como se sabe, tem raízes profundas: gregas, romanas, árabes, normandas. Mas, para aquele menino que já cresceu, não se trata apenas de um local classificado pela UNESCO ou da Villa del Casale. É a voz da sua avó que falava do bisavô, que tinha uma loja ali perto, é a tia que contava de quando as senhoras saíam com peles para as festas patronais. Os seus antepassados habitaram esta vila, pisaram as suas pedras, respiraram o seu ar a enxofre e a pão. E agora ele, com o coração a bater forte, quer devolver algo a essa cadeia de memórias. O projeto é simples e titânico ao mesmo tempo: devolver ao edifício o seu antigo esplendor para poder habitá-lo, para viver nele o sonho de uma vida inteira. Hoje, a casa oferece a possibilidade de construir duas casas de banho, serviços essenciais para dar um novo fôlego moderno a uma estrutura de outros tempos. Os espaços no rés-do-chão e na cave prestam-se a adegas, oficinas e pequenas tabernas. Há um pátio interior, um pequeno claustro a reinventar, um jardim secreto onde o tempo pode finalmente parar. Este edifício não é para todos. É para quem não tem medo do trabalho, do pó, das escolhas. É para quem sabe que restaurar não significa apagar, mas sim traduzir. Aquela criança, hoje, olha para as longas arcadas da escadaria e sorri. O seu avô dizia-lhe: «Os sonhos verdadeiros têm fundações antigas». E aqui estão elas: três andares de possibilidades, doze divisões de futuro e dez varandas de onde, todas as manhãs, finalmente em casa, poderá dizer: «O castelo é meu.»